Como tratamos a lesão do ligamento cruzado posterior?
Postado em: 21/08/2023
Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Atualizado em 29 de julho de 2026.
Uma queda de moto, uma batida do joelho no painel do carro ou uma torção mais séria no esporte, e a suspeita do ortopedista recai sobre o ligamento cruzado posterior. Diferente do LCA, essa lesão costuma gerar mais dúvidas por ser menos conhecida.
Como ocorre a lesão do ligamento cruzado posterior?
O mecanismo mais clássico é o trauma direto na parte da frente da tíbia, como em acidentes de carro, quando a perna bate contra o painel. Quedas de moto e outras lesões de alta energia também costumam atingir o LCP, muitas vezes junto com outras estruturas do joelho. Um terceiro mecanismo é a hiperflexão do joelho, quando a pessoa cai sentada sobre o próprio pé, comum em atividades esportivas.
Quais os sintomas da lesão do LCP?
No momento da lesão, a pessoa costuma sentir dor intensa e ter dificuldade para andar. Em lesões parciais, o quadro pode ser mais discreto, às vezes até permitindo continuar a atividade por um tempo, embora isso seja pouco frequente. Depois de algumas semanas, o inchaço tende a diminuir e a pessoa volta a andar e correr normalmente. Diferente do LCA, os sintomas da ausência do LCP variam bastante: alguns pacientes sentem instabilidade e desconfiança no joelho, mas a maioria relata apenas um desconforto leve que não impede atividades esportivas.
Como é feito o diagnóstico da lesão?
O diagnóstico combina exame físico específico, com testes que avaliam o deslocamento posterior da tíbia em relação ao fêmur, e exame de imagem, geralmente ressonância magnética, que confirma a lesão e ajuda a identificar lesões associadas em outros ligamentos, meniscos ou cartilagem. A gravidade encontrada no exame físico costuma orientar a conduta tanto quanto a imagem.
Lesões de alta energia, como as de acidentes automobilísticos e quedas de moto, frequentemente atingem o LCP junto com outras estruturas do joelho, como ligamentos colaterais e cápsula articular, configurando o que chamamos de lesão multiligamentar. Nesses casos, a avaliação precisa ser mais ampla, já que o tratamento de uma lesão combinada costuma ser diferente do tratamento de uma lesão isolada do LCP.
Como é classificada a gravidade da lesão?
A instabilidade gerada pela lesão do LCP é dividida em três graus: grau 1, com pouca instabilidade; grau 2, com instabilidade moderada; e grau 3, com instabilidade importante. Essa classificação é o que orienta a decisão entre tratamento conservador e cirúrgico.
Quando o tratamento é cirúrgico?
Lesões grau 1 e grau 2 costumam ser tratadas sem cirurgia, com fisioterapia focada em fortalecimento muscular. Já lesões grau 3, ou combinadas com lesão de outros ligamentos do joelho, costumam exigir cirurgia, na qual o ligamento é reconstruído com o uso de outros tendões como enxerto, seguida de reabilitação estruturada para restabelecer força e estabilidade da articulação. O retorno à direção de veículos e a atividades cotidianas mais simples costuma ocorrer de forma mais rápida do que o retorno ao esporte, sempre condicionado à recuperação do controle muscular e da estabilidade do joelho, avaliada individualmente pelo ortopedista responsável pelo acompanhamento.
Perguntas frequentes
A lesão do LCP é mais grave que a do LCA?
Não necessariamente. São lesões diferentes, com mecanismos e sintomas distintos. A gravidade depende do grau de instabilidade gerado, não do ligamento em si.
Dá para continuar praticando esporte com lesão leve do LCP?
Em muitos casos de lesão grau 1 ou 2, sim, desde que acompanhado de perto pela fisioterapia e sem sinais de instabilidade que comprometam a segurança durante a atividade.
A cirurgia do LCP tem o mesmo tempo de recuperação da cirurgia do LCA?
O protocolo de reabilitação é semelhante em vários aspectos, mas o tempo pode variar conforme lesões associadas e a técnica cirúrgica utilizada, sempre avaliado individualmente. Assim como em outras lesões ligamentares do joelho, o acompanhamento próximo do ortopedista ao longo de toda a reabilitação, e não apenas nas primeiras semanas, ajuda a identificar cedo qualquer sinal de instabilidade residual que possa exigir ajuste no plano de tratamento.
Avaliação da lesão do ligamento cruzado posterior com o Dr. Luiz Gabriel
Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho, avalia o grau de instabilidade de cada lesão do LCP por meio de exame físico detalhado e exames de imagem, considerando também eventuais lesões associadas em outras estruturas do joelho antes de definir a conduta.
Essa avaliação individual é o que diferencia um tratamento conservador bem-sucedido de uma indicação cirúrgica necessária. Agende uma avaliação para entender qual conduta faz mais sentido para o seu joelho.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
