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O LCA é o principal estabilizador do joelho. Sua ruptura é o pesadelo de quem pratica esportes. Mas o diagnóstico não é o fim da linha: com a técnica correta, o retorno ao esporte é seguro.

Este conteúdo reúne as principais informações sobre diagnóstico, tratamento conservador, cirurgia e recuperação após lesão do LCA.

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Entenda a lesão: Ruptura parcial vs. total

A lesão do LCA geralmente acontece por um mecanismo de torção do joelho, muitas vezes sem contato direto. As causas mais vistas são situações acidentais como pisadas em buracos, escorregões, quedas de bicicleta, etc. É comum o paciente relatar um estalo audível, seguido de inchaço rápido (nas primeiras horas) e sensação de instabilidade e joelho falseando.

A ruptura parcial do LCA é menos frequente e pode manter alguma estabilidade, dependendo das fibras preservadas. Já a ruptura total é a mais comum e costuma causar falseios recorrentes, principalmente em atividades esportivas ou movimentos do dia a dia que exigem giro do joelho. Essa diferença é fundamental para definir a melhor conduta.

Quais os sintomas da pessoa que rompe o ligamento cruzado anterior?

No momento da lesão, muitas vezes o paciente ou outras pessoas próximas, escuta um estalo no momento da torção do joelho. Geralmente a pessoa não consegue andar logo após a lesão, e sente muita dor. 

Em poucas horas o joelho já fica inchado, pois este ligamento sangra quando rompe. Em lesões parciais, a situação pode ser menos exuberante, com menos dor e sem inchaço, podendo até conseguir continuar a atividade esportiva por mais algum período, porém isto é pouco frequente.

Após algumas semanas, o joelho volta ao normal, deixa de ficar inchado, e geralmente o paciente consegue andar em linha reta sem sintomas, e até correr. Porém para realizar as mudanças de direção, ou quando pisa em buraco desatentamente, sente uma sensação de falseio, de frouxidão e instabilidade do joelho. 

É muito comum o paciente tentar realizar a atividade esportiva novamente, para “testar” o joelho, e quando solicitado o ligamento (mudanças de direção), sofre novo entorse do joelho, podendo acarretar lesões associadas, como lesões dos meniscos e lesões de cartilagem. Nos casos de lesões parciais, os sintomas podem ser mais leves.

Após anos com o ligamento rompido, devido à instabilidade da articulação, o joelho pode sofrer processo degenerativo, resultando em artrose (desgaste da articulação). Isto vai depender do grau de instabilidade e da solicitação do joelho.

Tratamento conservador: Quando NÃO operar o LCA?

Nem todo paciente com LCA rompido precisa de cirurgia. Pessoas idosas, sedentárias ou com baixa demanda física podem viver bem sem o ligamento, desde que façam um programa estruturado de fortalecimento muscular e reeducação funcional.

Nesse cenário, o foco é fortalecer quadríceps, posteriores de coxa e musculatura do quadril, reduzindo o risco de instabilidade. O tratamento conservador pode oferecer boa qualidade de vida quando não há episódios frequentes de falseio e o paciente aceita adaptar suas atividades.

Também é importante diminuir o risco de acidentes, evitando atividades em terrenos muito irregulares e pisos escorregadios, além de utilizar veículos como bicicletas e motos com cuidado.

Portanto temos duas formas de prevenir um no novo entorse:

1- Diminuindo o risco de acidentes, a exemplo de evitar atividades em terrenos muito irregulares e pisos escorregadios, utilizar veículos como motos e bicicletas com cuidado, etc.

2- Preparando a musculatura e a propriocepção (equilíbrio inconsciente) dos membros inferiores para as atividades que costuma praticar.

Este segundo item, consiste no tratamento não cirúrgico da lesão do LCA. O mais recomendado é iniciar o fortalecimento e treino proprioceptivo com fisioterapeuta, e depois seguir com exercícios regulares para manter o fortalecimento e a propriocepção.

A cirurgia de reconstrução: Como funciona?

A cirurgia LCA é realizada por artroscopia, técnica minimamente invasiva feita com pequenas incisões. O ligamento rompido é substituído por um enxerto, que funciona como um novo LCA após a cicatrização.

Os principais tipos de enxerto de LCA são:

  • Tendão patelar
  • Tendões flexores
  • Tendão do quadríceps

São realizados dois túneis, um no fêmur e um na tíbia. Os túneis são do mesmo diâmetro do enxerto, em média 8 a 9 mm. O enxerto é passado pelos túneis e fixado. Existem diversos mecanismos de fixação do enxerto, como parafusos de interferência, placas de fixação , parafusos transversos, etc.

Estes mecanismos fixam o enxerto provisoriamente, pois a fixação final é feita pela integração do enxerto nos túneis, que ocorre devido à proliferação óssea nos túneis. Este processo dura entre 2 a 4 meses, período este que o enxerto não pode ser solicitado bruscamente.

A artroscopia permite uma visualização detalhada da articulação, o que contribui para maior precisão na colocação do enxerto. Com isso, busca-se reproduzir o mais fielmente possível a função do ligamento original, favorecendo uma recuperação mais segura e previsível.

Não existe um “melhor enxerto” universal. A escolha depende do perfil do paciente, esporte praticado, idade, histórico de dor anterior no joelho e preferência cirúrgica. Essa decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, após avaliação individualizada.

Pós-operatório e reabilitação (dia a dia)

A recuperação após a reconstrução do LCA é progressiva e depende de uma reabilitação em fisioterapia bem orientada:

  • Muletas: geralmente por 7 a 14 dias, conforme evolução.
  • Retirada dos pontos: em torno de 10 a 14 dias.
  • Fisioterapia: inicia precocemente, com foco em mobilidade e força.
  • Corrida: liberada entre 3 e 4 meses.
  • Retorno ao futebol e esportes de pivô: entre 9 e 12 meses, respeitando critérios funcionais.

Realizar sessões de fisioterapia é fundamental após a cirurgia. Elas podem ser iniciadas logo nos primeiros dias de pós-operatório. Devido ao período de integração do enxerto, existem exercícios que são permitidos e outros não, mas ao longo da reabilitação, novos métodos vão sendo aplicados. 

É importante destacar que o fisioterapeuta escolhido precisa ter experiência e conhecimento nos protocolos de reabilitação em cirurgia do LCA, para não causar lesões no enxerto. De forma geral, o paciente fica de um a dois dias internado, e inicia a fisioterapia na semana seguinte. Fica sem imobilização, utilizando muletas por 2 semanas. Inicialmente, a ênfase é no ganho de mobilidade do joelho, analgesia e exercícios isométricos.

Após o segundo mês, os exercícios são intensificados e, após o quarto mês, o foco passa a ser no fortalecimento e nos exercícios de propriocepção (treino de equilíbrio). No final do sexto mês, estando a musculatura semelhante ao outro membro, e o equilíbrio restaurado, o paciente estará apto a retornar à prática esportiva.

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. O Ligamento Cruzado Anterior não cicatriza espontaneamente quando ocorre a ruptura completa.

Sim, é possível andar, mas há risco de falseios, que podem causar novas lesões no joelho.

Depende do paciente. A escolha do enxerto de LCA é individualizada e definida após avaliação médica.