Os principais fatores do diagnóstico de menisco
Postado em: 17/07/2023
Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Atualizado em julho de 2026.
O menisco é uma estrutura do joelho constituída por fibrocartilagem, em formato de meia lua. Cada joelho tem dois meniscos: o medial, na parte interna, e o lateral, na parte externa, ambos localizados na articulação entre o fêmur e a tíbia. No passado, acreditava-se que os meniscos tinham pouca função, e sua retirada completa em cirurgia era um tratamento frequente. A partir de 1960, porém, já havia relatos de sua importância, com as funções bem definidas décadas depois.
Funções do menisco
O menisco tem basicamente três funções: absorver carga, funcionando como um amortecedor do joelho; estabilizar a articulação, auxiliando os ligamentos; e nutrir a cartilagem, aumentando a penetração do líquido articular responsável por nutri-la, já que a cartilagem não possui vasos sanguíneos.
Tipos de lesão e o que muda no tratamento
Existem vários tipos de lesões meniscais: longitudinais verticais e horizontais, degenerativas, degenerativas com componente oblíquo inferior, radiais, em alça de balde e complexas. O tratamento varia conforme o tipo, podendo ser feito sem cirurgia, com fisioterapia, ou com cirurgia.
Lesões degenerativas periféricas e estáveis costumam ser tratadas sem cirurgia, enquanto lesões sintomáticas e instáveis muitas vezes exigem o procedimento cirúrgico. As lesões traumáticas geralmente estão relacionadas a torções durante atividades esportivas e com frequência vêm associadas a lesões de ligamentos, enquanto as degenerativas costumam decorrer de agachamentos do dia a dia ou entorses leves, que podem passar despercebidas porque a dor às vezes só aparece depois do evento que causou a lesão. Quando a lesão exige a retirada total ou parcial do menisco, veja também nosso conteúdo sobre menisco artificial e transplante de menisco.
Os três pilares do diagnóstico
Quando ocorre uma lesão no menisco, a dor pode variar de região conforme o local afetado. Para o diagnóstico da lesão meniscal, três pilares são fundamentais: a história clínica do paciente, o exame físico e os exames de imagem.
A história é fundamental para saber desde quando dói, onde dói e quais são as características da dor. O exame físico ajuda a confirmar se a dor referida corresponde de fato ao local do menisco. Por fim, a ressonância magnética permite visualizar o local da lesão, seu tipo e tamanho.
Quando a lesão do menisco exige avaliação mais urgente
Bloqueio articular, incapacidade de esticar totalmente o joelho ou dor muito intensa logo após uma torção são sinais que merecem avaliação em prazo mais curto, já que podem indicar uma lesão em alça de balde, que desloca um fragmento do menisco para dentro da articulação e trava o movimento.
O papel da idade no tipo de lesão
Em pacientes mais jovens, as lesões meniscais costumam ter origem traumática, associadas a entorses durante o esporte. Já em pacientes mais velhos, é mais comum encontrar lesões degenerativas, decorrentes do desgaste natural do tecido ao longo dos anos, muitas vezes sem um evento único que explique o início da dor.
Testes específicos do exame físico
Além da história clínica, o ortopedista utiliza manobras específicas para localizar a lesão meniscal. O teste de McMurray avalia dor ou estalido ao rodar a perna com o joelho flexionado, enquanto o teste de Apley combina compressão e rotação com o paciente de bruços, ajudando a diferenciar lesão meniscal de outras causas de dor articular. Nenhum desses testes é definitivo isoladamente, mas juntos aumentam a confiabilidade do diagnóstico clínico antes mesmo da ressonância.
Por que a localização da lesão influencia o tratamento
O menisco tem uma região externa mais irrigada por vasos sanguíneos e uma região interna quase sem irrigação. Lesões na parte mais vascularizada têm maior potencial de cicatrização e costumam ser candidatas à sutura, enquanto lesões na região interna, com pouca chegada de sangue, tendem a exigir a retirada do fragmento lesionado, já que a sutura nessa área raramente cicatriza de forma adequada.
Perguntas frequentes
Toda lesão de menisco precisa de cirurgia?
Não. Lesões degenerativas periféricas e estáveis costumam responder bem ao tratamento sem cirurgia. A indicação cirúrgica depende do tipo de lesão, da instabilidade e dos sintomas do paciente.
Por que às vezes não sei quando machuquei o menisco?
Lesões degenerativas podem surgir de movimentos leves do dia a dia, como agachamentos ou entorses discretas, e a dor muitas vezes só aparece depois, dificultando identificar o momento exato da lesão.
A ressonância sempre mostra o tipo exato da lesão?
Na maioria dos casos sim, mas o diagnóstico completo combina história clínica, exame físico e imagem, já que nenhum exame isolado substitui essa avaliação conjunta.
Dor no menisco melhora sozinha com repouso?
Em lesões degenerativas leves e estáveis, o repouso e a fisioterapia podem ser suficientes. Já em lesões instáveis ou com bloqueio articular, o repouso isolado tende a não resolver o quadro.
Avaliação de lesão do menisco com o Dr. Luiz Gabriel
Um diagnóstico preciso da lesão meniscal, considerando os três pilares clínicos, é o que orienta a escolha entre tratamento cirúrgico e não cirúrgico.
Se você sente dor no joelho e suspeita de uma lesão no menisco, agende uma avaliação.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
