Infiltração no joelho: como funciona e quando é indicada
Postado em: 19/06/2024
Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Atualizado em julho de 2026.
A infiltração no joelho é um procedimento rápido e minimamente invasivo usado para aliviar dor em condições como a artrose. Entender o que ela faz, e principalmente o que ela não faz, ajuda a formar uma expectativa realista antes de decidir pelo procedimento.
Por que a artrose dói
As articulações são protegidas por um fluido chamado líquido sinovial, responsável pelo movimento suave entre os ossos. A cartilagem, por sua vez, é uma estrutura de colágeno que reveste as superfícies ósseas. O desgaste difuso dessa estrutura é o que conhecemos como artrose.
A cartilagem não possui vasos sanguíneos nem nervos, e por isso não é ela que dói. Sua nutrição vem do líquido sinovial, que penetra no tecido com o movimento e o impacto da articulação. A dor da artrose vem do osso que ficou desprotegido pela cartilagem danificada e da inflamação da articulação, e não da cartilagem em si.
O que a infiltração faz na prática
O líquido sinovial contém ácido hialurônico, substância responsável por manter a viscosidade e a lubrificação da articulação. A viscossuplementação, nome técnico da infiltração no joelho com ácido hialurônico, consiste em injetar essa substância diretamente na articulação.
O objetivo é melhorar a lubrificação articular e reduzir a dor, criando uma janela em que o paciente consegue aderir ao que realmente modifica a evolução da artrose: o fortalecimento muscular. A infiltração não é um tratamento isolado nem substitui esse trabalho, ela viabiliza a fisioterapia e a atividade física em pacientes que antes não conseguiam se exercitar por causa da dor.
Como o procedimento é realizado
A infiltração é simples e feita no próprio consultório. Com o paciente deitado em uma maca, o ortopedista insere uma agulha fina na articulação e injeta a medicação no espaço articular.
Pode haver um desconforto rápido no momento em que a agulha entra na articulação, mas a dor é pontual e o paciente é liberado logo depois. Não há necessidade de acompanhante, e a saída do consultório é caminhando, sem imobilização. As complicações são raras e incluem alergia à medicação e infecção, ambas tratáveis, sem sequelas significativas na maior parte dos casos.
Quanto tempo dura o efeito
Os efeitos da viscossuplementação costumam se manter por alguns meses. A duração varia conforme o grau de desgaste da articulação, o peso corporal e, principalmente, o quanto o paciente aproveita esse período para fortalecer a musculatura ao redor do joelho.
Quem usa a janela de alívio para iniciar fisioterapia e manter uma rotina de exercícios tende a sustentar o resultado por mais tempo. Quem volta ao sedentarismo assim que a dor melhora costuma perceber o retorno dos sintomas mais cedo, porque a causa da sobrecarga permaneceu intacta.
Quando a infiltração tende a não funcionar
Embora não seja prejudicial à cartilagem, o procedimento pode não trazer alívio relevante em estágios avançados de artrose. Quando o desgaste é muito extenso e o espaço articular está praticamente ausente, a lubrificação adicional não compensa a falta de superfície de cartilagem.
Nesses casos, insistir em infiltrações sucessivas costuma apenas postergar a conversa que importa. Vale discutir com o ortopedista outras alternativas, incluindo o momento adequado para considerar a prótese de joelho.
O que fazer nos dias seguintes ao procedimento
Nos primeiros dias após a infiltração, é comum orientar redução temporária de atividades de impacto, mantendo a movimentação normal do dia a dia. Repouso absoluto não é recomendado, já que o movimento é justamente o que favorece a distribuição do ácido hialurônico dentro da articulação.
Um leve aumento do inchaço nas primeiras 24 a 48 horas pode ocorrer e costuma ser transitório. Dor intensa, febre ou vermelhidão importante no joelho fogem do esperado e devem ser comunicadas ao médico sem demora. Para mais detalhes sobre essa fase, veja também nosso conteúdo sobre recuperação após a infiltração.
Em que situações a infiltração não deve ser feita
Algumas condições contraindicam o procedimento, ao menos temporariamente. Infecção ativa na pele do joelho ou na própria articulação, quadros febris e alterações de coagulação não controladas exigem que a infiltração seja postergada, já que a introdução da agulha na articulação em qualquer desses cenários aumenta o risco de complicação.
Alergia conhecida ao ácido hialurônico também impede a aplicação. Em pacientes diabéticos, o procedimento não é proibido, mas merece atenção ao controle glicêmico, especialmente quando a opção escolhida envolve corticoide associado. Por isso a avaliação prévia não é burocracia: ela existe para identificar essas situações antes da aplicação.
Perguntas frequentes
A infiltração no joelho dói?
Há um desconforto pontual no momento em que a agulha entra na articulação, que passa rapidamente. O procedimento é feito no consultório e não exige anestesia geral nem internação.
Infiltração regenera a cartilagem?
Não. A viscossuplementação melhora a lubrificação da articulação e alivia a dor, mas não reverte o desgaste da cartilagem já instalado. O que ela oferece é uma janela para o paciente conseguir fortalecer a musculatura.
Quantas infiltrações podem ser feitas?
Não existe um número fixo. A repetição é avaliada caso a caso, considerando a resposta obtida na aplicação anterior e o grau de desgaste articular. Quando o alívio deixa de acontecer, outras alternativas devem ser discutidas.
Preciso parar de trabalhar depois da infiltração?
Na maioria dos casos não. O paciente sai caminhando do consultório e retoma as atividades habituais, evitando apenas impacto e esforço intenso nos primeiros dias. Para mais informações, veja também os pontos de atenção da infiltração de ácido hialurônico.
Avaliação para infiltração no joelho com o Dr. Luiz Gabriel
Definir se a infiltração faz sentido para o seu caso depende do grau de desgaste da articulação e do que já foi tentado antes, incluindo fisioterapia e ajustes de rotina.
Se você convive com dor no joelho por artrose e quer entender se a infiltração é indicada para a sua situação, agende uma avaliação.
Leia também: Infiltração do joelho: riscos, benefícios e como o ortopedista avalia cada caso e cuidados necessários após a infiltração do joelho.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
