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Lesão parcial do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): precisa fazer cirurgia?

Postado em: 24/08/2022

Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Lesão parcial do LCA: precisa fazer cirurgia?

Atualizado em julho de 2026.

Nem toda lesão parcial do ligamento cruzado anterior (LCA) exige cirurgia. Existem pessoas com lesões parciais, e até algumas com lesões completas, que não apresentam instabilidade da articulação nas atividades do dia a dia. Alguns indivíduos nem sequer sentem instabilidade em atividades de risco, como esportes com mudança de direção, mas esses casos são exceção.

O que decide entre cirurgia e tratamento sem cirurgia

O objetivo da cirurgia é restabelecer a estabilidade do joelho. Por isso, ela está indicada para pacientes que sentem instabilidade nas atividades diárias ou que pretendem praticar esportes de risco para novas torções. O que define a necessidade de cirurgia nas lesões parciais é o grau de instabilidade percebido pelo exame clínico e a queixa de instabilidade no cotidiano, não a extensão da lesão observada na ressonância.

A idade e o nível de demanda esportiva também entram nessa conta. Pacientes jovens e de alta demanda, como praticantes de futebol, basquete ou vôlei, têm maior tendência à indicação cirúrgica mesmo em lesões parciais, justamente para reduzir o risco de novas entorses e de lesões associadas em menisco e cartilagem. Já pacientes mais velhos, com baixa demanda funcional e sem instabilidade relatada, costumam responder bem ao tratamento sem cirurgia.

Por que o exame clínico pesa mais que o grau da lesão na imagem

A ressonância magnética mostra a extensão da lesão, mas não mede como o joelho se comporta durante o movimento. É o exame físico, com manobras específicas de estabilidade, que revela se a lesão parcial realmente compromete a função da articulação no dia a dia do paciente. Por isso, a decisão sobre operar ou não nunca deve se basear apenas no laudo de imagem, isoladamente.

Como é feito o acompanhamento de quem opta por não operar

Quando a opção é o tratamento sem cirurgia, o acompanhamento costuma incluir fisioterapia voltada ao fortalecimento muscular e ao treino de propriocepção, além de reavaliações periódicas para identificar sinais de instabilidade que possam surgir com o tempo. Se a instabilidade aparecer ou se agravar durante esse acompanhamento, a indicação cirúrgica pode ser reconsiderada, mesmo que inicialmente não tenha sido necessária.

Para entender como evoluiu o tratamento cirúrgico do ligamento cruzado anterior ao longo do tempo, veja também nosso conteúdo sobre a história do LCA.

O que muda na rotina de quem trata sem cirurgia

O acompanhamento sem cirurgia costuma incluir fortalecimento muscular específico do quadríceps e dos isquiotibiais, já que esses músculos ajudam a compensar parte da estabilidade que o LCA lesionado deixou de oferecer. Exercícios de propriocepção, como apoio unipodal em superfícies instáveis, também fazem parte do protocolo, treinando o joelho para reagir a situações de desequilíbrio.

Para pacientes que praticam esportes de risco mesmo com o tratamento sem cirurgia, o uso de joelheira funcional durante a atividade física pode ser recomendado como reforço extra de estabilidade, embora não substitua o papel do ligamento na articulação.

Como é feito o exame clínico da instabilidade

O exame físico usa manobras específicas para avaliar a frouxidão da articulação. O teste de Lachman avalia o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur com o joelho levemente flexionado, e é considerado o mais sensível para lesões do LCA. O teste da gaveta anterior avalia o mesmo movimento com o joelho a 90 graus de flexão. Já o pivot shift test reproduz a sensação de instabilidade que o paciente sente durante atividades com mudança de direção, sendo o exame que mais se relaciona com a queixa funcional do dia a dia.

A combinação desses três testes, junto com a história do mecanismo de lesão e a queixa de instabilidade, forma a base da decisão entre operar ou não, mais confiável do que qualquer exame isolado.

O que esperar caso a cirurgia seja indicada

Quando a cirurgia é a opção escolhida, a reconstrução do LCA costuma usar um enxerto do próprio paciente, geralmente do tendão patelar ou dos tendões flexores. A recuperação segue etapas bem definidas: controle da dor e do inchaço nas primeiras semanas, fortalecimento muscular progressivo e treino de propriocepção ao longo dos meses seguintes, com retorno ao esporte avaliado de forma individual, geralmente entre o sexto e o nono mês.

Perguntas frequentes

Toda lesão parcial do LCA evolui para lesão completa?

Não necessariamente. Algumas lesões parciais permanecem estáveis por anos sem progredir, especialmente em pacientes com baixa demanda funcional e sem instabilidade associada.

Quem já operou um joelho pode ter lesão parcial no outro?

Sim. Cada joelho é avaliado de forma independente, considerando o grau de instabilidade, a demanda esportiva e as características individuais daquele paciente naquele momento.

Fisioterapia sozinha resolve a lesão parcial do LCA?

Em muitos casos sim, principalmente quando não há instabilidade relevante nas atividades diárias. A fisioterapia fortalece a musculatura estabilizadora e melhora a propriocepção, compensando parte da função do ligamento lesionado.

Vale a pena fazer exames de imagem periódicos mesmo sem cirurgia?

Sim, principalmente para acompanhar se a lesão parcial permanece estável ao longo do tempo ou se há sinais de progressão que justifiquem reconsiderar a indicação cirúrgica.

Avaliação de lesão parcial do LCA com o Dr. Luiz Gabriel

Definir se uma lesão parcial do LCA precisa de cirurgia depende de uma avaliação clínica individualizada, que vai além do que a ressonância mostra.

Se você sofreu uma torção no joelho e tem dúvidas sobre a extensão da lesão ou sobre a necessidade de cirurgia, agende uma avaliação.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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