Prótese unicompartimental: como funciona e quem pode fazer
Postado em: 11/03/2025
Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Atualizado em julho de 2026.
Quando o desgaste da articulação atinge toda a estrutura do joelho, a prótese total costuma ser a opção indicada. Em parte dos casos de artrose, porém, o comprometimento se restringe a um único compartimento, medial ou lateral, e é nesse cenário que a prótese unicompartimental aparece como alternativa menos invasiva.
O que diferencia a prótese unicompartimental da total
Diferente da prótese total, que substitui toda a articulação, a prótese unicompartimental preserva as áreas saudáveis e substitui apenas o segmento danificado. Isso mantém boa parte da estrutura natural do joelho, incluindo ligamentos que a prótese total costuma sacrificar.
Essa preservação tem efeito direto no resultado percebido: a biomecânica do joelho fica mais próxima da original, o que muitos pacientes descrevem como uma sensação de movimento mais natural, e o pós-operatório tende a ser menos agressivo.
Como o implante é composto
Assim como a total, a unicompartimental tem componentes que substituem a cartilagem e o osso danificados. O componente femoral é a estrutura metálica que recobre a parte danificada do fêmur. O componente tibial é a peça metálica fixada na tíbia, responsável por sustentar a nova articulação. Entre os dois entra o polietileno, material que facilita o deslizamento e amortece impactos.
A diferença em relação à prótese total está na extensão da substituição, não na natureza dos materiais: a total cobre toda a superfície articular, a unicompartimental se limita ao compartimento afetado.
Quem é candidato ao procedimento
Nem todos os pacientes com artrose são candidatos. O implante é indicado quando o desgaste está restrito ao compartimento medial ou lateral, sem envolvimento generalizado da articulação, quando o joelho mantém bom alinhamento, já que a prótese parcial não corrige deformidades significativas, e quando há sintomas limitantes que não melhoraram com tratamento conservador, incluindo fisioterapia e controle de peso.
Pacientes com artrose generalizada, desalinhamento severo ou histórico de artrite reumatoide geralmente não são bons candidatos, porque a substituição parcial não daria conta de aliviar os sintomas. Nesses casos, a discussão passa a ser sobre o momento de considerar a prótese total.
O que a preservação óssea significa a longo prazo
A substituição parcial mantém grande parte do osso original, e esse ponto tem consequência prática além da recuperação inicial. Preservar osso significa que, se uma revisão for necessária no futuro, o cirurgião tem mais estoque ósseo disponível para trabalhar, o que amplia as opções técnicas naquele momento.
Como a cirurgia é menos invasiva, o tempo de reabilitação tende a ser menor e a redução de dor permite que muitos pacientes retomem atividade física de baixo impacto com conforto. A durabilidade do implante costuma variar entre 15 e 25 anos, dependendo do uso e das condições individuais. Quando ocorre soltura, pode ser necessária a substituição, processo chamado de artroplastia de revisão.
Preparo antes da cirurgia
Alguns passos antecedem o procedimento: realizar exames clínicos e laboratoriais para garantir segurança, fortalecer a musculatura do joelho com acompanhamento fisioterapêutico e tratar qualquer foco infeccioso ativo, já que uma infecção em curso pode comprometer o implante.
O fortalecimento pré-operatório merece destaque, porque chegar à cirurgia com boa força muscular costuma encurtar a fase inicial de recuperação e facilitar a retomada da marcha.
Recuperação no pós-operatório
Depois da cirurgia, a orientação combina repouso relativo com mobilização precoce, conforme liberação médica. O andador costuma ser usado nas primeiras semanas para auxiliar a locomoção, e a fisioterapia progressiva é o que recupera força e mobilidade.
Repouso absoluto não faz parte do protocolo: o movimento controlado desde os primeiros dias é justamente o que previne rigidez articular e acelera o retorno funcional, sempre dentro do que a evolução de cada paciente permite.
O que pode limitar a indicação
Além do desgaste localizado e do bom alinhamento, outros achados podem inviabilizar a prótese parcial. Lesão do ligamento cruzado anterior, rigidez articular importante e perda óssea significativa no compartimento afetado costumam contraindicar o implante unicompartimental, porque ele depende das estruturas remanescentes para funcionar de forma estável.
Peso corporal elevado também entra na avaliação, já que a carga concentrada em uma área menor de contato pode acelerar o desgaste do polietileno. Nenhum desses fatores é impedimento absoluto por si só, mas a soma deles costuma direcionar a decisão para a prótese total.
Perguntas frequentes
A prótese unicompartimental pode virar uma prótese total depois?
Sim. Se a artrose progredir para os outros compartimentos, a conversão para prótese total é possível, e a preservação óssea da cirurgia parcial costuma facilitar esse procedimento.
A recuperação é realmente mais rápida que na prótese total?
Em geral sim, porque a cirurgia é menos invasiva e preserva mais estruturas. Ainda assim, o tempo varia conforme a idade, a força muscular prévia e a adesão à fisioterapia.
Dá para praticar esporte com prótese unicompartimental?
Atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta, natação e musculação, costumam ser bem toleradas. Esportes com mudança brusca de direção e impacto repetitivo seguem não recomendados, para preservar a durabilidade do implante.
Como sei se meu desgaste está restrito a um compartimento?
Isso é definido por exames de imagem, principalmente radiografias com carga e, quando necessário, ressonância, correlacionados ao exame físico e ao alinhamento do membro.
Avaliação para prótese de joelho com o Dr. Luiz Gabriel
Definir se a prótese unicompartimental atende ao seu caso depende de confirmar que o desgaste está restrito a um compartimento e que o alinhamento do joelho permite esse tipo de implante.
Se você tem artrose no joelho e quer entender se a prótese parcial é uma opção para a sua situação, agende uma avaliação.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
