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Quais são as técnicas de sutura do menisco?

Postado em: 29/03/2023

Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Técnicas de sutura do menisco: inside-out, outside-in e all-inside

Atualizado em 29 de julho de 2026.

O laudo da artroscopia menciona sutura do menisco, mas não entra em detalhe sobre qual técnica foi usada nem por quê. Entender a diferença entre elas ajuda a compreender o que aconteceu durante a cirurgia e o que esperar da recuperação.

Quais são as técnicas de sutura do menisco?

Existem três técnicas principais de sutura do menisco: inside-out, outside-in e all-inside. A escolha entre elas depende principalmente da localização da lesão dentro do menisco, não de uma preferência isolada do cirurgião.

Técnica inside-out

Nessa técnica, os fios saem de dentro da articulação para fora, guiados por agulhas longas que atravessam a cápsula. Uma pequena incisão complementar na parte de trás do joelho permite recuperar as agulhas e amarrar os nós com segurança, protegendo estruturas nervosas e vasculares da região. É considerada a técnica mais consolidada historicamente, com décadas de resultados documentados na literatura ortopédica.

Técnica outside-in

O caminho é o inverso: as agulhas entram de fora para dentro da articulação. Essa técnica reduz o risco de lesão às estruturas posteriores do joelho, por isso costuma ser preferida em lesões próximas ao corno anterior do menisco, onde o acesso por dentro é mais delicado e a proximidade com nervos e vasos exige mais cautela.

Técnica all-inside

Todo o procedimento é feito por dentro do joelho, com dispositivos próprios que dispensam qualquer incisão complementar. É a técnica mais usada atualmente para lesões na região posterior do menisco, onde as outras duas técnicas exigem mais manipulação. Por não precisar de incisão adicional, também costuma reduzir o tempo total de cirurgia.

Como é escolhida a técnica para cada lesão?

A escolha considera principalmente a zona de irrigação sanguínea do menisco onde a lesão está localizada. A borda mais próxima da cápsula articular, chamada zona vermelha-vermelha, recebe mais sangue e cicatriza melhor com qualquer uma das três técnicas. Já a região mais central, a zona branca-branca, tem pouca ou nenhuma irrigação, o que reduz a chance de sucesso da sutura, independentemente da técnica escolhida.

A localização anatômica da lesão dentro do menisco, seja no corno anterior, no corpo ou no corno posterior, também pesa na decisão, já que cada técnica tem mais ou menos facilidade de acesso a cada uma dessas regiões. Lesões que cruzam mais de uma zona de irrigação, por exemplo, costumam exigir a combinação de mais de uma técnica no mesmo procedimento.

Por que preservar o menisco em vez de removê-lo?

A opção pela sutura, sempre que a lesão permitir, existe porque o menisco tem papel direto na absorção de impacto e na distribuição de carga dentro da articulação. Remover a estrutura por completo tende a acelerar o desgaste da cartilagem ao longo dos anos, o que pode antecipar o surgimento de artrose. Por isso, mesmo quando a sutura exige mais tempo de cirurgia e de recuperação do que a simples remoção da parte lesionada, ela costuma ser a escolha preferida quando a zona de irrigação favorece a cicatrização.

Existe diferença na recuperação entre as técnicas?

O protocolo pós-operatório é definido principalmente pela localização e extensão da lesão, não pela técnica de sutura em si. Ainda assim, a técnica all-inside, por dispensar incisão complementar, tende a gerar menos desconforto na primeira semana, já que não há ferida cirúrgica adicional além dos portais da artroscopia.

Nas primeiras semanas após qualquer uma das três técnicas, o cuidado costuma ser semelhante: uso de muletas, restrição de carga total sobre o joelho e progressão gradual da amplitude de movimento, sempre respeitando o tempo biológico de cicatrização do tecido suturado antes de liberar atividades de maior impacto.

Uma técnica tem mais chance de falha que outra?

A literatura ortopédica não aponta uma técnica como superior às demais quando aplicada na indicação correta. O fator que mais influencia o sucesso da sutura é a irrigação sanguínea da zona lesionada, não a técnica escolhida. Por isso, a decisão do cirurgião durante a artroscopia costuma pesar mais a localização da lesão do que uma preferência isolada por uma das três técnicas.

Perguntas frequentes

Toda lesão do menisco pode ser suturada?

Não. Lesões na zona sem irrigação sanguínea, mais central, costumam ter baixa chance de cicatrização com sutura, e por isso a remoção da parte lesionada tende a ser a opção mais indicada nesses casos.

Quanto tempo leva para o menisco suturado cicatrizar?

A cicatrização completa costuma levar alguns meses, por isso o retorno à carga total e a atividades físicas mais intensas é gradual, sempre orientado pelo cirurgião conforme a evolução de cada paciente.

A técnica de sutura é decidida antes ou durante a cirurgia?

A decisão final costuma ser tomada durante a artroscopia, quando o cirurgião visualiza diretamente a localização e o padrão da lesão pela câmera.

Avaliação da lesão do menisco com o Dr. Luiz Gabriel

Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho, avalia a localização e o padrão de cada lesão do menisco para definir a técnica de sutura mais indicada, quando ela é viável. Para entender melhor como funciona o procedimento como um todo, veja também como é feita a cirurgia do menisco. Agende uma avaliação para entender qual conduta faz mais sentido para o seu joelho.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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