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Menisco artificial e transplante de menisco: entenda o que é esse estudo

Postado em: 09/01/2023

Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Menisco artificial e transplante de menisco

Atualizado em julho de 2026.

O menisco é uma estrutura do joelho, em formato de meia lua, composta por fibrocartilagem. Cada joelho tem dois meniscos: o medial, na parte interna, e o lateral, na parte externa, ambos localizados na articulação entre o fêmur e a tíbia. Para entender como é feito o diagnóstico de lesões nessa estrutura, veja também nosso texto sobre diagnóstico do menisco.

No conteúdo de hoje, vamos falar sobre uma possibilidade estudada pela medicina para os casos cirúrgicos de menisco: o menisco artificial e o transplante de menisco. Boa leitura!

Por que a ausência do menisco preocupa a longo prazo

O menisco tem três funções importantes: absorção de impacto, estabilização da articulação e nutrição da cartilagem. A ausência do menisco, a médio e longo prazo, pode contribuir para a degeneração articular conhecida como artrose, já que a cartilagem perde parte do suporte que amortece e nutre a articulação.

Por isso, quando a cirurgia exige a retirada total ou parcial do menisco, uma dúvida frequente dos pacientes é se existe algum substituto artificial ou sintético capaz de cumprir essa função.

Os tipos de menisco artificial em estudo

Diversos tecidos artificiais já foram estudados e testados como substitutos do menisco, mas os resultados ainda são considerados incertos, e atualmente não há nenhum menisco artificial disponível no Brasil. Entre os modelos estudados, existem dois tipos: o tecido integrado, que é colonizado pelas próprias células do paciente que o recebe, e o não integrado, que apenas ocupa o espaço deixado pelo menisco original sem se integrar biologicamente.

O transplante de menisco e seus desafios logísticos

Outra possibilidade em desenvolvimento é o transplante de menisco, já realizado em alguns países e ainda em fase inicial no Brasil. A principal dificuldade é logística: o tamanho do menisco do doador precisa ser compatível com o do receptor, e a captação de tecidos no Brasil ainda tem alcance limitado.

Fora do Brasil, existem centros que já realizaram um número expressivo de transplantes de menisco nos últimos dez anos, com resultados considerados promissores, especialmente em pacientes jovens que perderam grande parte do menisco e ainda não desenvolveram desgaste articular avançado.

Por que nem sempre é possível preservar o menisco

Em lesões extensas, com fragmentos instáveis ou em regiões pouco vascularizadas do menisco, a sutura não costuma ter bons resultados, e a retirada parcial ou total acaba sendo a opção mais indicada para eliminar a dor e o travamento articular. A decisão sempre considera o tipo de lesão, a idade do paciente e o nível de atividade física.

Cuidados após a retirada do menisco

Depois da cirurgia, o fortalecimento muscular do quadríceps e dos músculos posteriores da coxa ajuda a compensar parte da função de absorção de impacto que o menisco desempenhava, reduzindo a sobrecarga sobre a cartilagem remanescente. O acompanhamento a longo prazo também é importante para monitorar sinais precoces de desgaste articular.

Quem é elegível para o transplante de menisco

De forma geral, os melhores candidatos ao transplante são pacientes jovens, que perderam a maior parte ou todo o menisco em cirurgias anteriores, e que ainda não desenvolveram desgaste significativo da cartilagem. Pacientes com artrose já instalada tendem a ter resultados menos previsíveis, porque o transplante não reverte o dano articular já existente, apenas ajuda a preveni-lo daqui para frente.

Como é a recuperação do transplante

A recuperação do transplante de menisco costuma ser mais prolongada do que a de uma cirurgia de retirada parcial. O período inicial exige proteção da articulação, com uso de muletas e restrição de carga, seguido por um programa de fisioterapia gradual que pode se estender por vários meses até a liberação completa para atividades físicas de impacto.

Diferença entre lesão degenerativa e lesão traumática na decisão cirúrgica

Lesões degenerativas do menisco, mais comuns em pacientes de meia-idade e idosos, costumam responder melhor ao tratamento sem cirurgia, já que o tecido já apresenta desgaste natural e a sutura tem menor chance de cicatrização. Já lesões traumáticas, geralmente associadas a torções durante a prática esportiva em pacientes mais jovens, ocorrem em tecido mais saudável e por isso têm maior potencial de serem suturadas, preservando parte da estrutura original do menisco.

Essa diferença explica por que dois pacientes com queixas semelhantes podem receber indicações de tratamento completamente distintas: o que importa não é apenas o sintoma relatado, mas a qualidade do tecido meniscal disponível para reparo e o potencial de cicatrização daquela região específica.

Perguntas frequentes

Já existe menisco artificial disponível no Brasil?

Não. Os modelos estudados até o momento ainda têm resultados incertos, e nenhum menisco artificial está disponível para uso no país atualmente.

Quem pode fazer transplante de menisco?

A indicação costuma ser individualizada, considerando fatores como idade, extensão da perda do menisco e condição da cartilagem, além da disponibilidade de um doador compatível.

Viver sem menisco traz consequências?

Sim, a médio e longo prazo. A ausência do menisco reduz a absorção de impacto e a nutrição da cartilagem, o que pode acelerar o desenvolvimento de artrose na articulação.

Fazer exercício sem o menisco aumenta o risco de artrose?

O risco existe a longo prazo, mas pode ser reduzido com fortalecimento muscular adequado e controle de peso, já que a musculatura bem trabalhada absorve parte da carga que o menisco deixou de amortecer. O acompanhamento ortopédico periódico ajuda a monitorar essa evolução ao longo dos anos.

Avaliação de lesão do menisco com o Dr. Luiz Gabriel

Entender as opções disponíveis para os casos em que o menisco precisa ser removido, incluindo os cuidados necessários depois da cirurgia, ajuda o paciente a tomar decisões mais informadas sobre o tratamento.

Se você tem uma lesão de menisco, já foi orientado a fazer cirurgia ou quer entender as opções de tratamento para o seu caso, agende uma avaliação.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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