Lesões no ski e snowboard: como se preparar e se prevenir
Postado em: 04/03/2025
Conteúdo revisado por Dr. Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti, CRM SP 117180, ortopedista com foco em cirurgia do joelho.

Atualizado em julho de 2026.
Ski e snowboard atraem muitos brasileiros que viajam para destinos de neve, e trazem risco relevante de lesão. A combinação de velocidade alta com exigência física intensa faz com que quedas e impactos resultem em contusões, fraturas e lesões ligamentares. A incidência de acidentes acompanha as temporadas de inverno: julho e agosto na América do Sul, dezembro a fevereiro na América do Norte e na Europa.
As lesões mais frequentes nessas modalidades
As lesões de joelho estão entre as mais comuns, com destaque para as lesões de ligamento cruzado anterior, as lesões meniscais e as fraturas de platô tibial. O esforço repetitivo e as torções bruscas favorecem esses quadros, especialmente no ski, em que a bota fixa o pé e transfere a torção diretamente para o joelho.
Fraturas podem ocorrer em punhos, clavícula, tornozelo e fêmur, sendo mais frequentes em quedas de alta velocidade. Existe também risco de fraturas graves em crânio e coluna. Traumas cranianos merecem atenção: o capacete reduz muito o impacto, mas quedas violentas ainda podem resultar em concussão. Lesões musculares aparecem quando falta preparo físico específico, e lesões de tornozelo são mais comuns no snowboard, já que os pés não ficam tão firmes quanto no ski.
Preparo físico antes da viagem
Brasileiros em geral não praticam ski ou snowboard com regularidade, o que faz a musculatura chegar despreparada à temporada. Exercícios genéricos de fortalecimento não bastam: o preparo precisa reproduzir as exigências do esporte que será praticado.
Entram nessa preparação os simuladores de ski e snowboard, que permitem treinar o movimento antes da viagem, os exercícios de propriocepção, que melhoram equilíbrio e estabilidade articular, e os treinos de força e resistência, com agachamentos, afundos, saltos e trabalho de core. A orientação de fisioterapeuta ou profissional de educação física é importante para montar um programa individualizado e seguro.
Cuidados na pista
Mesmo com experiência, algumas precauções continuam valendo. Aprender a técnica antes de se aventurar, evitar velocidades altas, permanecer dentro das pistas demarcadas e usar capacete sempre reduzem de forma direta a gravidade dos acidentes.
Sair da pista aumenta o risco de quedas, avalanches e dificuldade de resgate, além de expor o esquiador a pedras e irregularidades do terreno. A forma de cair também importa: manter as mãos coladas ao peito e os ombros fechados, em vez de apoiar as mãos espalmadas no chão, reduz o risco de fratura de punho e de lesão no ombro.
Por que o fim do dia concentra acidentes
Muitas lesões acontecem no fim do dia ou no fim da semana de viagem, quando o corpo já acumulou desgaste. A fadiga muscular reduz a capacidade de estabilizar as articulações em movimentos bruscos, e a queda de luminosidade no fim da tarde piora a leitura do terreno.
Insistir em “só mais uma descida” quando o cansaço já apareceu é justamente o cenário em que a torção acontece. Reconhecer o limite é parte do preparo, não o oposto dele.
O que fazer se a lesão acontecer
Diante de uma lesão, o primeiro passo é parar imediatamente, porque continuar na pista tende a agravar o quadro. Estações de ski costumam ter equipes médicas preparadas para primeiros socorros, e casos graves podem exigir hospitalização local.
A decisão entre tratar no local ou retornar ao Brasil depende do caso: fraturas graves e cirurgias de urgência costumam ser conduzidas onde o acidente aconteceu. Ainda assim, uma avaliação profissional o quanto antes ajuda a evitar agravamentos, e nada impede que o paciente entre em contato com um médico brasileiro de confiança para orientação à distância enquanto define a conduta.
Perguntas frequentes
Ski ou snowboard, qual tem mais risco para o joelho?
O ski concentra mais lesões de joelho, porque a bota fixa o pé e a torção se transfere para a articulação. O snowboard tem os dois pés na mesma prancha, o que reduz esse mecanismo, mas aumenta lesões de punho, ombro e tornozelo.
Quanto tempo antes da viagem devo começar a me preparar?
Um programa de fortalecimento e propriocepção precisa de algumas semanas para produzir ganho real de força e controle motor. Começar poucos dias antes tende a gerar mais fadiga do que proteção.
Joelheira previne lesão de LCA no ski?
Não substitui o preparo muscular. Em quem já tem histórico de lesão no joelho, o uso pode ser discutido com o ortopedista como reforço adicional, nunca como alternativa ao fortalecimento.
Vale fazer uma avaliação antes de viajar?
Para quem tem histórico de lesão no joelho, dor recorrente ou cirurgia prévia, uma avaliação antes da temporada ajuda a definir o que é seguro praticar e qual preparo faz sentido no período disponível.
Prevenção de lesões esportivas com o Dr. Luiz Gabriel
Chegar à temporada de neve com preparo específico e respeitando os limites do corpo é o que separa uma viagem tranquila de um retorno com lesão no joelho.
Para se aprofundar nas lesões mais comuns nessas modalidades, veja também nossos conteúdos sobre lesão parcial do LCA e diagnóstico da lesão de menisco. Se você tem histórico de lesão no joelho e vai viajar, uma avaliação prévia ajuda a planejar a temporada com segurança.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
